Pedofilia feminina

Há muito tempo ele não a tocava. E mesmo nas últimas vezes, ele gozou, virou para o lado e dormiu. Ela não sentiu prazer e tão pouco reclamou. Sexo para os dois não era mais como no início. Se tornou apenas um ritual obrigatório que ocorria vez ou outra sem o menor tesão. Apenas convenção de um casamento de quase 20 anos. Eles não mais se olhavam nos olhos como no começo e os pés não se abraçavam na cama à noite. Não havia discussões e muito menos atração. Eram como dois estranhos convivendo no mesmo espaço. Falavam apenas o estritamente necessário e viviam cada um em seu universo particular. Uma mudez sufocante.
Isabel era bonita. Com seus 45 anos ainda conservava os traços de menina. Cabelos lisos e pretos que tocavam os ombros. Nariz pequeno e arrebitado, olhos escuros, seios fartos e firmes, perna bem torneada. Uma mulher desejável. Augusto, com seus 47 anos, também tinha seu charme. O cabelo grisalho lhe tornou mais elegante. A barriga saliente não chegava a ser um problema. Alto, mãos grandes, braços malhados, pele bronzeada pelo sol. Um homem interessante. Ambos bem sucedidos profissionalmente. Não era beleza, sucesso ou falta de dinheiro o que os havia afastado.
Isabel era professora, e das boas. Dedicada, fazia sucesso entre os alunos. Na escola parecia outra pessoa, alegre e espontânea. Era lá que se abria para o mundo e se encontrava consigo mesma. E foi lá que viu que as coisas poderiam ser diferentes.
Durante uma aula em que falava sobre a história do Egito, conheceu Pedro, um garoto de 17 anos. Não era dono de uma beleza estonteante. Loiro de olhos claros, alto e magro. Mas, algo nele chamou a atenção de Isabel. Ela se puniu instantaneamente. Isso ia contra a boa reputação que havia conquistado em anos de docência. Pedro trazia no olhar um mistério que a fascinava. E ela não conseguia mentir para si mesma.
Ele veio de Brasília para o Sul por causa da transferência do pai, que era militar. Durante várias aulas ela não conseguiu deixar de se pegar observando-o. E era desconcertante o quanto ele retribuía sem o menor pudor. Ela virava o rosto quando reparava que ele também a olhava.
Era um menino inteligente que discutia questões históricas de igual para igual. E a cada vez que Pedro falava, ela sentia sua calcinha molhar. A voz dele tinha o poder de excitá-la. E ela enrubescia como se alguém pudesse perceber o desejo que sentia.
No final de uma manhã, depois que todos foram embora, Isabel soube que não conseguiria mais resistir.
Pedro era o único que ainda não havia terminado a prova. Todos os outros já tinham ido embora. Na sala apenas os dois. Ela com um frio no estômago e com as mãos trêmulas tentando disfarçar o nervosismo.
Pedro demorou até levantar a cabeça. Continuava escrevendo. Ela se achou uma vagabunda.

– Interessada em um garoto com idade para ser seu filho Isabel. Você ta doida, pensava.

Sabia de todos os contratempos que um relacionamento desses poderia acarretar para sua carreira e para seu casamento.

Nesse momento, Pedro levantou e sorriu. Um sorriso safado. Ela mordiscou o lábio involuntariamente. Ele foi devagar até a mesa dela. Entregou a prova e a aguardou passar os olhos. Apenas frases eróticas. Pedro não respondeu as questões. Ele a queria e agora ela não tinha dúvida alguma disso. Ele percebeu que ela estava assustada. Pedro parecia mais maduro do que Isabel nesse momento. Foi ele, que depois de algum tempo, emitiu a primeira frase:

- Meus pais tão viajando. To sozinho em casa hoje. Passa lá em casa.
- Não Pedro. Não posso. Isso não é certo. Você tá confundindo tudo.
- Não to não. Eu sei que não to. Vou te esperar às 7. Já coloquei o meu endereço aí na prova.
- Não vou. Você não entendeu. Não podemos ter nada.
- Vou te esperar às 7.

E saiu sem olhar pra trás, a deixando ali, imóvel.

À noite Isabel se arrumou. Para Augusto disse que iria na festa de aniversário de uma colega de trabalho. Ele fez um “aham” sem nem ao menos tirar os olhos do processo que estava analisando. Era advogado. Nem reparou que a esposa estava particularmente linda naquela noite.
Enquanto dirigia, ia pensando no que estava fazendo. Quase desistiu umas tantas vezes, mas quando notou já estava na frente da casa de Pedro. Uma luz na sala estava acessa. Já ia ligando novamente o carro para ir embora quando a porta abriu. Ele, lançando aquele olhar para ela, o mesmo da tarde ao fim da prova. Não resistiu. Desligou novamente o carro, tirou a chave, fechou o vidro e andou até a porta onde ele estava. Entrou puxada pela mão. Sentou em um sofá sem saber o que fazer. Não queria falar nada. E nem precisou. Pedro se jogou em cima dela sem nem ao menos dar tempo para respirar. E a beijou com força. A língua dele percorria o céu da boca, a orelha, o pescoço. Ela sentiu a calcinha molhar. Enquanto uma das mãos apertava o seio, a outra já começava a arrancar a calcinha. Pedro levantou o vestido que ela escolheu para a ocasião e enfiou a língua com vontade. Isabel cravou as unhas nas costas dele. Sentia tesão novamente, depois de muito tempo.
Não foram nem até a cama para não perderem tempo. Pedro parecia mais velho, mais experiente. A língua quente dele dançava nela. Ela se contorcia, gemia alto, aperta os braços dele, gritava ainda mais. E ele parava no exato instante em que percebia que ela não agüentava mais. E se dedicava no restante do corpo. E depois ela em cima dele, e os dois num movimento ritmado, se comendo, sem olhando, se sentindo. Sexo por sexo. Desejo incontrolável. Não era amor aquilo, era prazer. Eles mudavam de posição, faziam malabarismos no sofá. Ela de cabeça pra baixo, ele em um entra e sai tentador. Ela mordiscando a orelha, ele lambendo os seios. Ela chupando com vontade, ele puxando o cabelo. Ela gemendo, ele suspirando intensamente. Não havia nada além dos dois. Cheiro de sexo pela sala, gosto de sexo na boca. O prazer máximo dos dois. Gozaram juntos. Se abraçaram por um longo tempo. Isabel levantou, se arrumou, deu um beijo na testa de Pedro e foi embora.
Pedro não voltou mais para a escola. Isabel ficou aliviada. Ele foi o estímulo que ela precisava para mudar a vida. Se separou de Augusto, mudou de cidade e conheceu Geraldo. O sexo com ele era bom, mas o Pedro, ah o Pedro. Dele ela não conseguiu esquecer nunca. Jamais se viram novamente. Ah o Pedro, gosto de sexo, simplesmente.

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